PLANTAS TÓXICAS 2
 

Para conhecer as plantas tóxicas do Brasil
Pesquisadores da USP reúnem dados sobre princípios ativos, intoxicações e tratamento

Foram registrados no Brasil, em 1998, 1748 casos de intoxicação por plantas, segundo estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o objetivo de promover o conhecimento sobre as plantas tóxicas mais recorrentes no país e, assim, reduzir o número de ocorrências graves, três pesquisadores da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto escreveram o livro Plantas tóxicas - conhecimento e prevenção de acidentes.

A obra traz informações importantes para a adoção de medidas emergenciais de tratamento e para que sejam evitadas intoxicações acidentais. O livro se dirige tanto à população leiga quanto a médicos e botânicos -- ele traz, por exemplo, detalhes técnicos sobre os princípios ativos de plantas venenosas e suas propriedades químicas.

As descrições detalhadas e ilustrações facilitam a correta identificação das plantas que apresentam risco mais freqüente de envenenamento. Muitas delas são bastante conhecidas, por serem de grande valor ornamental ou ocorrerem em abundância na natureza.

Os autores reuniram dados sobre os casos de intoxicação por plantas mais freqüentes no Brasil. Aproximadamente 70% são acidentais e atingem crianças de até 12 anos de idade. No caso dos adultos, as ocorrências mais freqüentes são as consideradas abusivas, ou seja, decorrentes do consumo voluntário de plantas por propriedades já conhecidas.

Entre os sintomas do contato com substâncias tóxicas de certos vegetais, estão irritações na pele e mucosas, desordens gastrointestinais e até complicações cardíacas e neurológicas. Para conhecer as propriedades e a ocorrência de algumas dessas plantas, clique nas imagens abaixo.

Dieffenbachia picta - comigo-ninguém-pode, aninga-pará

Originária da flora amazônica, é bastante cultivada com fins ornamentais e responde pela maioria dos casos de intoxicação entre crianças de até 6 anos. Por ser muito comum em bares e ambientes comerciais, é considerada uma das plantas mais perigosas em ambiente urbano. A mastigação da sua folha provoca intensa irritação nas mucosas da boca, faringe e laringe. Nos casos mais graves, pode causar náuseas e vômitos. O tratamento dos sintomas é feito com a ingestão de leite e água.

Jatropha curcas L. - pinhão-paraguaio, pinhão-de-purga, figo-do-inferno etc.

Nativa do Brasil, é muitas vezes cultivada como cerca viva. Seu principal emprego é feito na medicina popular, como purgativo e no tratamento de feridas da pele, gota, paralisia e reumatismo. Suas sementes, no entanto, podem ser altamente tóxicas se ingeridas em quantidade superior a duas. A maioria dos casos de intoxicação ocorre em crianças de 6 a 12 anos, e há relatos de casos fatais após a ingestão de quatro a cinco sementes. O tratamento deve ser iniciado com lavagem gástrica.

Ricinus communis L. - mamona, carrapateira, rícino, palma-de-cristo

Originária da Ásia meridional, é bastante difundida no Brasil. De fácil proliferação em terrenos baldios, matas e lavouras abandonadas, possui uma semente muito atrativa para crianças, que podem ingeri-las em quantidades consideráveis. Os sintomas podem demorar horas e até dias para aparecer, período no qual notam-se perda de apetite, aparecimento de náuseas, vômitos e diarréias. Não existem antídotos e o tratamento dos sintomas deve ser iniciado com lavagem gástrica e administração de carvão ativado ou de outros adsorventes.

Brugmansia suaveolens - saia-branca, erva-do-diabo, trombeteira, figueira-do-inferno

Originária da América do Sul, atualmente só aparece como planta cultivada com propósitos ornamentais. Suas propriedades alucinógenas e estimulantes são difundidas -- sua utilização é comum em tribos indígenas americanas. Sua ingestão tem grande ação no sistema nervoso central e provoca alucinações; por isso, a planta é consumida na maioria dos casos como entorpecente. Os sintomas mais comuns são náuseas e vômitos, pele quente, seca e avermelhada, secura das mucosas, taquicardia, distúrbios de comportamento, confusão mental e agitação psicomotora. O tratamento deve ser iniciado por lavagem gástrica.

Luffa operculata - buchinha, buchinha-do-norte, buchinha paulista, cabacinha

Nativa no Brasil, possui fruto oval, pequeno e áspero. A inalação do líquido desses frutos é adotada popularmente contra a sinusite. No entanto, as conseqüências da ingestão do chá da planta são muito graves. Utilizado como abortivo por mulheres jovens, ele provoca hemorragias severas, que muitas vezes levam ao coma ou à morte. Os sintomas aparecem cerca de 24 horas após a ingestão: no início, ocorrem náuseas, vômitos, dores abdominais e dores de cabeça, seguidos por hemorragias. Para combater a intoxicação recomenda-se a administração de carvão ativado e o tratamento dos sintomas gastrointestinais.

Oxalis sp. - trevo, azedinha

Encontrada principalmente em lugares úmidos ou frescos, é considerada uma praga de jardim. Crianças costumam mastigar folhas de algumas espécies desse gênero devido ao seu gosto levemente azedo e agradável. A ingestão em grandes quantidades pode irritar as mucosas do estômago e do intestino e provocar vômitos, diarréia e dor abdominal. O tratamento pode ser iniciado com lavagem gástrica e indução ao vômito. Recomenda-se também o tratamento dos sintomas gastrointestinais. .  

Plantas tóxicas - conhecimento e prevenção de acidentes
Rejane B. Oliveira, Silvana A. P. Godoy e Fernando B. Costa
São Paulo, 2003, Holos Editora
64 páginas - R$ 20,00

Julio Lobato
Ciência Hoje On-line
17/02/04